No Jardim Botânico do RJ: a arte de abraçar árvores

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"O iluminado Albert Einstein caminhava pelas aleias e caramanchões curtindo e apreciando as mais de sete mil espécies da flora nacional e de outras partes do planeta"

No dia 25 de março de 1925 o Jardim Botânico no Rio de Janeiro recebia a visita do maior gênio da ciência de todos os tempos. O iluminado Albert Einstein caminhava pelas aleias e caramanchões curtindo e apreciando as mais de sete mil espécies da flora nacional e de outras partes do planeta.

Amante da natureza encantou-se com a formosura de um jequitibá-rosa, árvore nativa do Brasil. Ouviu atentamente as qualidades e propriedades da árvore que o diretor do parque Antonio Pacheco Leão explicava didaticamente. Ao final, emocionado, abraçou o gigante vegetal e beijou suas raízes. No livro de visitas de 1925, Einstein relatou que: “A visita ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na agradável e amável companhia do professor Pacheco Leão, significa para mim um dos maiores acontecimentos que tive mediante impressões visuais (externas). Quero aqui expressar meus profundos agradecimentos“.

Estava aberto o portal do neo-panvegetalismo em solo tupiniquim. Acredito que desde o inicio da historia da humanidade homens e mulheres tenham se conectado com a natureza abraçando árvores. Muitos paisagistas, botânicos, pintores, cientistas, naturalistas e crianças continuam a se esbaldar e contemplar com a fartura deste paraíso criado em 1808 por D. João VI. Todas as vezes que visito o Rio de Janeiro sou magnetizado a visitar o Jardim Botânico.

Há dez anos, convidei um dos maiores sacerdotes do planeta na arte de abraçar árvore, o rockeiro Serguei. Este longevo personagem da música pop brasileira parece um Peter Pan aos  75 anos de idade. (Serguei está com 85 anos). Fico admirado com sua energia e sou enlaçado por um fortíssimo abraço do Druida de Saquarema. Sua indumentária é um modelito de lã fina, com faixas coloridas.

Explico a ele que minha intenção é relaxar, meditar e abraçar algumas árvores. Uma mistura de perfumes exalava naquele Éden Pantropical. Aromas fortes, doces e amargos, embalavam nossa missão naquele jardim encantador. Flanava com Serguei pelo arboredo onde muitas espécies ameaçadas são cultivadas e preparadas para a re-introdução na natureza.

"Segundo Serguei, o ato telúrico de abraçar árvores é uma ciência de entrar em contato direto com a natureza"
“Segundo Serguei, o ato telúrico de abraçar árvores é uma ciência de entrar em contato direto com a natureza”

Serguei aproveitava o ensejo e abraçava palmeiras imperiais, jatobás, jacarandás, ipês-amarelos, perobas, sumaúmas e muitas outras. Parecia um elfo galopante. Segundo Serguei, o ato telúrico de abraçar árvores é uma ciência de entrar em contato direto com a natureza.

Aproveito e desfruto abraçando uma palmeira imperial símbolo do Jardim. Existe uma lenda que a primeira muda foi plantada pelas mãos do príncipe regente D. João e transformou-se em um dos símbolos da monarquia. Uma sintonia finíssima permeia o ambiente. Observo o chafariz central com as alegorias e detalhes na escultura de ferro fundido que simboliza a arte, ciência, dança e música.

Conectados com a natureza e o espírito em sinfonia celestial,  partimos para a meditação. Ao final, Serguei depois de rastrear pelas alamedas, localizou o suposto Jequitiba-Rosa que Albert Einstein abraçou. Foi uma tarde inesquecível. Quando for ao Rio de Janeiro, visite este jardim abençoado.

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