Acrobacias, porradaria e palavrões: lucha libre no México

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Lucha libre define México transcultural

O espetáculo que mais define o México transcultural é o universo da lucha libre, uma das grandes paixões dos mexicanos. Na Colônia Doctores, na Calle Dr Lavista 189, fui conhecer o santuário da Lucha Libre: a Arena México.

O santuário é um ginásio com capacidade para mais de 13 mil pessoas e que foi inaugurado em 1956, com um cartel das principais estrelas da época como Santo e Blue Demon e a presença do comediante Cantinflas como mestre de cerimônias.

Na minha primeira noite de gala na lucha libre tive o privilégio de acompanhar uma sucessão de lutas espetaculares e recheadas de muita coreografia e diversão. Os lutadores, isto é, os personagens da lucha libre são divididos em dois estilos: os rudos e os técnicos.

Os rudos são os maus, sempre com atitudes violentas e com uniformes e máscaras escuras e vermelhas, já os técnicos são os xodós do grande público. No show/luta, o que se manifesta no ringue são as forças do bem contra as forças do mal. A maioria dos lutadores fazem parte de dinastias e famílias, são raros os que não usam as máscaras.

Os rudos são os maus, sempre com atitudes violentas e com uniformes e mascaras escuras e vermelhas, já os técnicos são os xodós do grande publico
Os rudos são os maus, já os técnicos são os xodós do grande público

Precisamente às 5h da tarde, abriram-se as cortinas e uma multidão de fãs mascarados, famílias e turistas invadiram o recinto. O interior da arena possui arquibancada por toda a circunferência, ringue no meio, telão gigantesco de LED e muita propaganda mexicana.

No folheto mostra que o espetáculo será uma sucessão de seis lutas. A arena é invadida por uma variedade de sons com uma trilha sonora que vai do hip hop mexicano ao heavy metal terminal. Os luchadores vão entrando no ringue e eletrizando a plateia com perfomances bizarras de super heroís.

Todos tem sua coreografia milimetricamente ensaiadas. Nas três primeiras lutas, os lutadores são quase todos gorduchos e rústicos. O que impressionava era a inacreditável flexibilidade de todos e os voos para fora do ringue. Tudo é mucho loko.

A plateia delira, xingando e intimando os luchadores do mal (os rudos). Da quarta luta em diante, as estrelas tão esperadas surgem para o público: Rush, Juice Robinson, Dragon Lee, El Terrible, Vangellys e Pólvora e o mascote Kemonito.

Balé aéreo, acrobacias de circo, voos alucinantes, porradaria e toneladas de palavrões
Balé aéreo, acrobacias de circo, voos alucinantes, porradaria e toneladas de palavrões

O locutor anuncia a luta mais aguardada da noite, os adorados pelo público: Volador Jr trinca Matt Taven e Diamante Azul versus os nefastos: Negro Casas, Mefhisto e Euforia.

O espetáculo é surreal: balé aéreo, acrobacias de circo, voos alucinantes, porradaria e toneladas de palavrões da plateia: hijo de xingada, puto, pinche, cuuuullllerrro, ORALE, ORALE.

O grand-finale foi a vitória da trinca comandanda pelo ícone sagrado Volador jr. Um espetáculo imperdível na cidade do México. (Esta reportagem foi publicada na revista Tá Suave).

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