Homens-Pássaros: os voadores de Papantla, México

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Decidimos ir conhecer pessoalmente a cerimônia religiosa dos “Hombres Pájaros” na misteriosa Papantla

Viva el México! Percorria a rodovia costeira 180 depois de uma estadia de alguns dias na caliente cidade de Vera Cruz que está debruçada nas águas caribenhas do golfo do México. Uma sucessão de agradáveis descobertas alimentava minha curiosidade e espírito de aventura. Havia conhecido o pequeno vilarejo de Santiago Tuxtla sede e músculo cardíaco da mais antiga civilização da Mesoamerica chamada de Olmecas. O apogeu desta civilização solidificou-se no período de 1.300 a 600 antes de Cristo. No local, três imensas cabeças pretas estão preservadas em um sitio arqueológico de nome “Três Zapotes.

As amizades borbulhavam na região. Em uma pequena bodega de beira de estrada bebericavamos uma horchata de coco (a carne e o leite do coco) misturada com ervas aromáticas. Sorrateiramente um índio de origem Totonaca aproximou-se e contou uma história surreal. Suas feições e constituição física eram o xerox de um lobo. Perguntou se conhecíamos o espetáculo de Los Voladores de Papantla. Disse que não. Como uma metralhadora giratória, nos contou com muita emoção, detalhes da dança tradicional e a forma como ela é realizada.

Com seu sorriso enigmático Fernando conclui a conversa dizendo que a festa aconteceria dentro de três dias no povoado de El Tajin ao lado da cidade de Papantla no estado de Vera Cruz. Pagamos nossa conta e decidimos ir conhecer pessoalmente a cerimônia religiosa dos “Hombres Pájaros” na misteriosa Papantla.

Percorremos 240 km em um dia e meio de viagem visitando com muita perícia e atenção pequenos povoados e cidades (Laguna verde, Diamante, Nautla, La Guadalupe, Los Lobos, Tecolutla etc.). Exatamente com 24 horas de antecedência ao espetáculo dos “Hombres Pájaros”, estacionamos nosso veiculo no hotel Trujillo na parte central de Papantla.

Fomos desvendar e acompanhar a cerimônia mágico-religiosa da dança ritual dos Voladores
Fomos desvendar e acompanhar a cerimônia mágico-religiosa da dança ritual dos Voladores

No dia seguinte, fomos desvendar e acompanhar a cerimônia mágico-religiosa da dança ritual dos Voladores, a 13 km da cidade. No caminho nos deparamos com a incrível pirâmide de Los Niches que é a obra-prima de arte e arquitetura da cultura Totonaca.

Centenas de pessoas aguardavam a performance. Um tambor começou a rufar e um grupo de cinco homens iniciou a subida a um mastro de 30 metros. Os elementos usavam uma calça vermelha e camisa branca com bordados esverdeados. O som de uma flauta que representa o canto das aves dominava o ambiente.

No alto do mastro, os quatro homens respectivamente amarraram uma corda em seus tornozelos. Com muita perícia, se lançaram no espaço e começaram a girar. A audiência entrou em delírio. É um passaro, um avião ou um grupo de super-homens. O quinto elemento permanecia tocando a flauta magica. Os quatro homens representam os quatro pontos cardeais na cultura Maia: O Deus Sol, Deus vento, Deus Terra e Deus Água.

Diálogo mágico com as forças da natureza
Diálogo mágico com as forças da natureza

Estabelece-se um dialogo mágico com as forças da natureza em que os bailarinos restauram a conexão com Xipe Totec Deus da Fertilidade. Os voladores realizaram 13 voltas cada um ao redor do imenso poste. O número 13 corresponde aos meses do calendário Maia. Quatro x treze: totais 52 voltas, equivalentes ao numero de semanas no ano. O que deixou extasiada a platéia foi a técnica e destemor dos guerreiros totonacas. O publico vibrou, assobiou, dançou e celebrou. Ao final, os atletas-dançantes desceram do mastro e finalizaram a sessão chamando a platéia para uma ultima dança de saideira.

@verissimoarthur