O ‘Viagra’ dos Andes: sopa com pênis e testículo de boi é sucesso de vendas na Bolívia

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Você já esteve na Bolívia, amigo? Se não esteve, vá imediatamente. Sonhadores, aventureiros, etnobotânicos, alpinistas, chefes de cozinha, ciclistas e adoradores do imperador Inca Atahualpa, deixem suas preocupações e rotinas de lado e vamos rumo à La Paz, capital da Bolívia. A primeira sensação quando desembarcamos na cidade é a falta de ar. Localizada a mais de 3.500 metros de altitude, La Paz é um mix surreal de cultura, bagunça e muitas curiosidades. Sua população é, por excelência, de origens indígenas. As tradições ayamaras e quéchuas estão presentes na comida, no vestuário, na língua e na música.

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FIL2064 (1)O universo e os mistérios dos Incas continuam presentes em qualquer esquina de La Paz. As atrações e excursões nos arredores da cidade são para os mais variados gostos. O vale da Lua a 10 minutos do centro da cidade é imperdível. Visitar Tiahuanaco é uma viagem no túnel do tempo. Distante 70 km da capital, você se depara com o mais importante sítio arqueológico da Bolívia. Lógico que navegar e conhecer o Lago Titicaca a 3.800 metros de altitude é tarefa fundamental para qualquer viajante.

Durante minha estadia em La Paz, conheci as entranhas da cidade. O mercado de Las Brujas, as baladas noturnas e, obviamente, a culinária boliviana. Fui convidado e arrastado para conhecer um restaurante típico na calle Antonio Gallardo, quase esquina com a Avenida Buenos Aires. Nosso aplicado guia, espumando sacanagem, pediu para aguardarmos na porta. Fora chamar a dona do restaurante Casa de ORO.  Com um sorriso enorme, a proprietária dona Aydé Urquizo de Foronda explicou que o seu estabelecimento está aberto há mais de 10 anos e é famoso especialmente pelo  caldo de cardan, mais conhecido como El Caldo de Los Machos.

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Feliz com a presença do jornalista, Dona Aydé lançou sua metralhadora giratória e não parava mais de falar. ¨Meus avós e minha sogra, que é cochabambina, me ensinaram a cozinhar o caldo. Desde então, vendo o prato. Agora, se proliferaram locais, mas o nosso foi o primeiro”, comentou. Na porta do restaurante uma multidão de senhoras, crianças e adultos se dirigiam para as mesas. Queria saber qual era o ingrediente desta fabulosa iguaria. Dona Aydé, com uma grande risada, confessou o que tinha de tão especial no caldeirão. O principal ingrediente da sopa “dos machos” era nada mais, nada menos do que o nervo do toro, isto é, em espanhol, o gigantesco pirocão do boi.

Fiquei cheio de nojo, e Dona Aydé insistia para que nosso time experimentasse. ¨Senhor, preparo pessoalmente a sopa, que vai acompanhada de milho, charque, frango e ovo. O caldo somente de nervo não é muito agradável”, complementou Dona Aydé.

Os clientes não paravam de entrar. As crianças lambiam os beiços, e as velhinhas repetiam a dose. Conversei com um tipo bem louco com cara de uns 150 anos que disse que o caldo de cardan não é somente famoso por seus poderes afrodisíacos. Segundo ele, muitos médicos recomendam para os pacientes debilitados e com anemia. Na realidade, não consegui tomar ou comer aquela meleca com o pênis do boi. O impressionante nesta história boliviana é que mais de 200 pratos foram servidos em menos de uma hora. Arghhhhh!

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