Meu encontro com o homem lobo no México

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Na casa dos Lobos (família Acevedo) foi uma festa

Terra abençoada dos olmecas, aztecas, zapotecas e maias, o México com suas histórias e tradições instiga a qualquer aventureiro um menu delirante para os gostos mais inusitados. Meu objetivo desde o momento em que aluguei um carro na cidade do México era de conhecer a histórica Guanajuato e seguir até o vilarejo de Loreto no estado de Zacatecas.

Um caleidoscópio de mistérios e enigmas se desvendava diante de nosso horizonte. Guanajuato encontra-se distante 360 quilômetros da cidade do México. As estradas mexicanas são impecáveis, porém, repletas de pedágios com preços exorbitantes. Completamente diferente das esburacadas e detonadas rodovias brasileiras.

On The Road Again. Para quem não sabe, Guanajuato durante 250 anos foi à cidade mais rica na Nova Espanha sendo a terceira maior produtora de prata do planeta. O miolo central da cidade é um autentico labirinto. Sua arquitetura colonial com seu casario, palácios e igrejas arrasta containers de turistas, curiosos, estudiosos e freaks aloprados. O supra-sumo da minha estadia foi visitar o sinistro Museu das Múmias de Guanajuato.

Espalhadas em galerias de fila dupla, 108 múmias estão expostas para os olhares de espanto e curiosidade dos visitantes. As instalações ficam embaixo do cemitério de Guanajuato. A estranheza destas múmias descobertas a partir de 1865 é o estado em que se encontram. Os órgãos internos, isto é, intestino, pâncreas, fígado, coração etc… Desintegraram-se. O cabelo, pele, unhas e pentelhos ponham fé, estão preservados. Algumas múmias conservam seus dentões intactos. A atmosfera do ambiente parece o filme “O retorno dos mortos-vivos”.

Museu de Guanajuato
Museu de Guanajuato

O que choca, tanto os adultos como as criancinhas alem da conservação das roupas, meias e botas são as expressões de desespero da maioria das múmias.

Partimos de Guanajuato logo ao amanhecer e ao final da tarde estacionamos nosso veículo na porta da Chefatura da Policia de Loreto para colher algumas informações. Uma fotografia na revista Bizarre destacava um sujeito peludão e que residia em Loreto.

O licantropo mexicano e sua família sofrem de uma disfunção conhecida cientificamente como hipertrichosis (excesso de pelos no corpo). Na chefatura, a delegada de policia empastelada de maquiagem e com uma saia apertadinha se ofereceu de nos levar a casa dos Lobos. Ao final me despachou pelos lábios um beijo congestionado de saliva extra-úmida.

Na casa dos Lobos (família Acevedo) foi uma festa. É inacreditável a quantidade de pelos e cabelo que o jovem Hector Acevedo tem espalhado pelo corpo. O personagem tem uma vida normalíssima. Frequenta academia de ginástica e costuma sair para baladas como qualquer outro jovem.

Muitos fotos da família Acevedo estão espalhados pelos móveis e expostas nas paredes do imóvel. A prima de Hector é outro exemplo: tem costeleta, bigode e barbicha. Hector e seus familiares ganham a vida apresentando-se em feiras, circos e programas de TV. Ao final da nossa visita Hector comentou que já havia estado no Brasil em programas de auditório. Acredite se quiser.

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