Lago Atitlan e seus mistérios; expedição mostra apogeu maia

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Veríssimo desvenda sincretismo na Guatemala

O maravilhoso lago Atitlan (130 km quadrados) está circundado por 12 pequenos vilarejos. O visual é chocante. O horizonte é cercado por um conjunto de montanhas e três vulcões perenes e sua atmosfera é ao mesmo tempo enigmática e esplendorosa. A cidade de Panachel é a meca da cultura alternativa, new age e xamânica na região.

Desde os anos 60 atrai mochileiros, peregrinos, aventureiros, místicos e bicho grilos de todos os cantos do planeta. Muitos ficaram por lá e montaram pousadas, restaurantes, escolas de yoga, estúdios de música e muitas barraquinhas onde se vendem artesanato guatemalteco, estátuas, incensos e roupas multicoloridas.

Do outro lado do lago, está o povoado de Santiago de Atitlán. Basta pegar uma lancha e atravessar curtindo o panorama e o reflexo dos três vulcões espelhados nas águas. No desembarque fomos recepcionados por indígenas com trajes tradicionais e suas indumentárias. Fui caminhando até o centro do vilarejo subindo, serpenteando uma colina e chegamos no coração do povoado a igreja de Santiago construída em 1547.

O maravilhoso lago Atitlan está circundado por 12 pequenos vilarejos
O maravilhoso lago Atitlan está circundado por 12 pequenos vilarejos

Em seguida fomos por ruelas tortuosas até o ponto mais alto da expedição: conhecer o sincrético Deus Maia Maximon. Entramos numa pequena capela e na parte central um altar alucinante ao Deus Maximon, com roupas coloridas de seda, um belíssimo chapéu e um charutão na boca. O local é repleto de velas, flores, frutas, oferendas e muitas garrafas de rum e cachaça de cereais. Muita feitiçaria e trabalhos maias dualém.

Passei uma semana desfrutando da magia do lago Atitilan e fazendo longas caminhadas ao redor dos vulcões. Dias depois, retornei a Guatemala City e logo em seguida voamos para o norte para finalmente conhecer o fascinante sítio arqueolôgico de Tikal. Diariamente partem voos para Flores, cidade que possui infraestrutura para receber os viajantes e fica distante 64km de Tikal.

Estileira muito antes de Colombo
Um povo naturalmente estileira desde antes dos invasores espanhóis

A densa floresta é o habitat de pavões, macacos, garças, quatis e dezenas de outros animais. No caminho a Tikal encontramos árvores de mais de 50 metros de altura como um imenso cedro de 700 anos. Acredito que milhões de turistas já tenham visitado as ruínas dessa cidade maia – uma das mais avançadas civilizações antes da chegada dos exploradores europeus. O que deixa qualquer um em estado de choque ou deslumbrado é a arquitetura realizada para os deuses.

Na imensa clareira vislumbro os grandiosos templos, palácios e pirâmides onde foram depositados segredos de uma civilização que tinha conhecimentos inexplicavelmente avançados de matemática, arquitetura, e astronomia – e desapareceu sem deixar vestígios. Enigmas, desmatamentos, epidemias, secas, cataclismas e guerras contribuíram para o colapso maia.

Civilização maia tinha conhecimentos de matemática, arquitetura, e astronomia
Civilização maia tinha conhecimentos de matemática, arquitetura, e astronomia

Climatologistas e paleoecologistas detectaram diversos sinais e evidencias de antigas mudanças climáticas e ambientais que contribuíram para o abandono das cidades. Mas pouco se sabe sobre o esvaziamento repentino de Tikal, no período mais dinâmico do povo maia. Nessa época, ergueram e construíram os maiores templos e a sociedade encontrava-se altamente organizada.

Mais uma missão comprida e cumprida
Arquitetura realizada para os deuses deixa qualquer um em estado de choque

O sítio arqueológico possui em sua extensão 576 km2 com mais de 3 mil estruturas e construções preservadas. Todo este complexo de arquitetura e engenharia foi criado entre o seculo VII e o seculo IX. Percebe-se o explendor desta civilização subindo centenas de degraus de madeira para chegar ao topo do templo Cinco. A pirâmide era o local sagrado para rituais e sacrifícios, igualzinho o que vocês viram no filme Apocalipto, de Mel Gibson , onde cabeças rolavam pelas escadarias.

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