Experimentei o bafo do dragão na Guatemala e ele cheirava bem

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Novamente, Arthur matava o desejo de conhecer as entranhas de um vulcão

Um perfume intenso dominava a subida da montanha. Não conseguia identificar a origem daquele aroma delicioso. A fragrância era um mix de temperos, almíscar, essências, plantas de poder e enigmáticas especiarias do reino mineral. Minhas pernas e pulmão rogavam por uma paradinha para me embriagar mais intensivamente com aquele néctar, aquela brisa ancestral.

A subida à cratera do vulcão Pacaya estava quase em seu grand finale. Perguntei ao guia Guilhermo de onde vinha aquele perfume dominador. Ele apontou para um língua enorme de lava incandescente escorrendo pela beirada do vulcão. Fiquei em estado de encantamento. Observei sobre o leito de lava seca e negra o vermelho do ferro e o amarelo do enxofre.

Novamente matava o desejo de conhecer as entranhas de um vulcão: em outras expedições conheci as bordas e crateras do Kintamani (Bali), Pinatubo (Filipinas), Chimborazo e Cotopaxi ( Equador), Merapi (Java). A sensação que sentia à medida que me aproximava da lava era indescritível.

Guilhermo – o guia – disse que existem dois tipos de erupção sem grande risco: a havaiana (quiescente) que é pequena e com fluxo contínuo de lava, e a estromboliana (nome derivado do vulcão Stramboli na Sicília), que tem como características explosões discretas em intervalos de segundos, minutos ou horas.

A sensação que sentia ao me aproximava da lava era indescritível
A sensação que sentia ao me aproximava da lava era indescritível

Joguei algumas pedras e rochas vulcânicas na lava que escorria. Nada aconteceu, a lava borbulhava como gosma, destruindo tudo o que vinha pela frente. Experimentei o bafo do dragão. Os vulcanólogos orientam os curiosos e desavisados a evitar respirar os gases tóxicos expelidos pelos vulcões.

No vulcão Pacaya, algo inexplicável, diferente em tudo dos mandamentos da vulcanologia: a essência cuspida pelas entranhas do Pacaya com sua fumaça despertou meu espírito. Uma sinfonia de outras esferas desprendia do rio de lava, o que me levou para um estado alterado de profunda meditação. Despertei com a sola do tênis já meio que derretida. Na volta, quando descíamos pela trilha, senti um pequeno tremor de terra.

Tá quente ou tá frio?
Tá quente ou tá frio?

Diariamente ocorrem tremores na Guatemala que esta localizada na America Central sendo seu território metade do estado de São Paulo. A Guatemala possui em seus cenários espetaculares 33 vulcões. Desastres naturais marcam a história do país com: furacões, secas, terremotos e tornados. Em 4 de fevereiro de 1976, um terremoto de um minuto matou 30 mil pessoas e deixou 1 milhão de desabrigados. Em janeiro de 2001, outro forte tremor de 7,6 na escala Richter castigou o pais.

Este é só o começo da aventura da mística Guatemala
Este é só o começo da aventura da mística Guatemala

Meu ponto de partida na Guatemala foi a cidade de Antígua. Da janela do quarto do hotel avistava o imponente vulcão Fuego com seus 3.763 metros de altura emanando uma densa fumaça. Minha mente fervilhava com o dia seguinte. O genial escritor Aldous Huxley, autor de Admirável mundo Novo e Portas da Percepção, descreveu o cenário como “uma paisagem impossível, um dos lagos mais belos do mundo, especialmente pelos vulcões que o circundam”. Na próxima crônica conto em detalhes minha experiência no lago e seus vulcões e o misterioso sítio arqueológico de Tikal.

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