Taperebá? Uxi? Sorveteria de Belém do Pará bomba com sabores exóticos

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Sabores da sorveteria Cairu

Dentro da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, uma multidão se espreme para ver a imagem imaculada da Santa.

Basílica de Nossa Senhora de Nazaré
Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Saio da belíssima igreja e sigo a esmo no contrafluxo dos milhares de peregrinos que invadem as ruas no Círio de Nazaré. Atravesso a avenida Nazaré e serpenteio até a Avenida Governador Jose Malcher, 1895.

O Círio de Nazaré, em Belém do Pará, a maior festa religiosa do Brasil
O Círio de Nazaré, em Belém do Pará, a maior festa religiosa do Brasil

Meu corpo e espírito clamam por algo refrescante naquele calor de derreter cimento. Nenhuma brisa ameniza o frenesi da multidão. Visualizo do outro lado da avenida a sorveteria Cairu. Parece uma miragem em meio a turba.

Mestiço, o sabor favorito dos clientes da sorveteria Cairu
Mestiço, o sabor favorito dos clientes da sorveteria Cairu

Exaurido, me lanço porta adentro. Recebo a brisa fresquinha do ar-condicionado e fico em êxtase diante do balcão repleto de caixas de sorvetes coloridos. Duas senhoras me convidam para sentar. Dona Ruth e Dona Maria fazem parte do clã de seis irmãos que são os donos da rede de sorvetes.

Arthur Verissimo, Dona Ruth e Dona Maria
Arthur Verissimo, Dona Ruth e Dona Maria

Num piscar de olhos, tenho cinco sabores para degustar. Começo pela tentadora mangaba, uma frutinha deliciosa com um leve toque amargo. Daí em diante, um ‘Deus nos acuda’. Sorvia sabores  que explodiam nas glândulas salivares. Delirava com iguarias regionais: Taperebá também conhecido como cajá, uxi, araçá e um manjar dos deuses de nome Maria Isabel. Ah, Maria Isabel… uma mistura de Bacuri, coco e pão de ló, pura tentação.

Degustando sabores exóticos
Degustando sabores exóticos

Refrescado e alimentado, desandei a conversar com as proprietárias. O negócio da sorvetaria Cairu iniciou-se no século passado, no início de 1963. O primeiríssimo sorvete foi o picolé de Bacuri, e, no ano seguinte, lançaram os sorvetes de massa cremosa. A rede cresceu, e hoje são 14 lojas em Belém e 2 em Salinas. Pergunto às irmãs qual o sorvete que os clientes mais desejam. As duas exclamam: “Mestiço!”. Sou induzido a experimentar. A mistura de açaí e bolinhas crocantes de tapioca é algo inexplicável. Virei fã no ato.

Explosão de sabores
Explosão de sabores

Ao fundo da sorveteria, também coexiste uma panificadora impecável. No dia seguinte, voltei a Cairu e aproveitei o ensejo para experimentar outros sabores (bacaba, cupuaçu e muruci), além repetir a dose com o imbatível Mestiço.

Mais uma deliciosa invenção da sorveteria Cairu / Reprodução / Instagram
Mais uma deliciosa invenção da sorveteria Cairu / Reprodução / Instagram

CURIOSIDADES

A sorveteria Cairu com suas 12 máquinas fabrica e processa uma tonelada e meia de sorvete diariamente. Nos período de férias, a média sobe para 3 toneladas.

São 12 opções de sorvetes de palito e mais de 50 de massa cremosa feito à base de frutas frescas, creme de leite e leite em pó.

Segundo as proprietárias, um artigo no The New York Times realizado por Seth Kugel em 16 de setembro de 2010 tem levado romarias de americanos em viagens pela Amazônia a bater ponto nas sorveterias Cairu.

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