Linhas perfeitas! Conheça os geoglifos do Acre

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Geoglifo de Xapuri, no Acre

Devido ao seu isolamento no extremo oeste da Amazônia, o Acre raramente consta nos pacotes e destinos turísticos do restante do Brasil, mas reserva maravilhosas surpresas para quem é explorador, aventureiro ou turista curioso. A cidade de Xapuri, no interior do estado, faz parte do meu imaginário e código genético. Minha mãe, Dona Zezé, acriana da gema e nativa de Xapuri, sempre relatou histórias, lendas e causos de personagens da floresta amazônica e da vida nas entranhas do Acre. Das canções de ninar às histórias da mesa de jantar, Zezé ingenuamente transformava seu primogênito em jornalista sedento por descobrir os mistérios da vida.

Desbravando Xapuri
Desbravando Xapuri

Xapuri fica a 175 km da capital Rio Branco e, desde a morte do seringueiro Chico Mendes em 22 de setembro de 1988, transformou-se no berço do movimento ambientalista em defesa da floresta. Na área central da cidade, encontra-se a casa onde viveu e morreu o líder seringueiro. Simples e aconchegante, está aberta a visitação pública. O grande lance é conhecer o Seringal Cachoeira, sede do Projeto Agroextrativista Chico Mendes. Turistas que desejam ter uma experiência diferente, podem se hospedar na pousada formada por chalés em total harmonia com a floresta. Uma luta antiga e interminável se trava por toda a Amazônia entre governo, ONGs, extrativistas, pecuaristas, madeireiros e fazendeiros. O assassinato de Chico Mendes, porém, despertou o interesse de todo o planeta para os danos que estavam sendo causados à floresta amazônica.

Fotos: Acervo Altair Sales Barbosa / Xapuri.info
Fotos: Acervo Altair Sales Barbosa / Xapuri.info

Uma das histórias que sempre me magnetizou foi a das descobertas de geoglifos em uma região próxima à capital. Em 1977, foi identificada uma série de sítios arqueológicos devido ao desmatamento da floresta. Desde então, muitos pesquisadores e cientistas desbravaram o Acre a procura de vestígios para compreender as estruturas geométricas. Um sobrevoo ao redor dos desenhos é a pedida certa para matar a curiosidade. A empresa Maanaim Amazônia realiza passeios aéreos com uma hora de duração pelas imediações. Vistas do alto, as estruturas geométricas parecem ter sido feitas com perfeição.

Ao sobrevoo com a Maanaim Amazônia
Ao sobrevoo com a Maanaim Amazônia

Os mais famosos geoglifos conhecidos são os de Nazca, no Peru, com suas numerosas linhas, trapezóides e desenhos zoomorfos (de animais). O que vislumbramos no Acre são desenhos geométricos (quadrados, octógonos e muitos círculos). As estruturas medem de 113 a 200 metros de diâmetro, com profundidades que variam entre 30 centímetros e 4,5 metros. Segundo os especialistas, as valas podem ter sido construídas por pré-colombianos que habitaram a área entre 800 e 2.500 anos atrás.

Tacacá
Degustando um Tacacá

Na volta para Rio Branco, refleti profundamente sobre os geoglifos enquanto degustava um saboroso Tacacá (um caldo grosso, uma espécie de sopa bastante famosa no norte do Brasil). Entre tantos enigmas, teorias e especulações, o que parece ser mais convincente é mesmo a tese de que as estruturas serviam de açudes quando a floresta tropical era uma imensa savana, como é hoje o cerrado. Mas isso já é uma outra história…

Arthur Veríssimo

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