1º campeonato foi em 1912! Saiba como o sumô chegou ao Brasil

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Arthur Verissimo e atletas no Ginásio Mie Nishi, em São Paulo

Minha admiração pelas tradições, costumes e cultura japonesa sempre foi profunda. Tive a possibilidade de viajar pelo Japão por algumas vezes e o arquipélago sempre me encantou. Desde pequeno, circulo pelo bairro da Liberdade, em São Paulo, a procura de um pouquinho do oriente e de diversão.

Recentemente, também consegui matar minha curiosidade de acompanhar um treinamento de Sumô. Tudo aconteceu no Ginásio Mie Nishi, ao lado do estádio de Beisebol, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo.

sumô

O sumô nasceu no Japão e sua origem é mitológica. Os torneios profissionais, que só acontecem na Terra do Sol Nascente, envolvem uma série de rituais e cerimônias antes das lutas, e seus atletas seguem com disciplina rígidas normas de conduta em suas vidas. Por lá, existem 700 atletas no sumô profissional e apenas os 60 melhores recebem salários e são considerados divindades. O ranking é extremamente rígido. A grande maioria dos atletas é filiada a organizações e academias que subsidiam moradia e refeições.

Ginásio Mie Nishi / Foto: Prefeitura de São Paulo
Ginásio Mie Nishi / Foto: Prefeitura de São Paulo

No Brasil, o sumô surgiu com a vinda dos imigrantes japoneses no início do século 20, e era praticado como recreação dentro dos navios. Em 1912, aconteceu o primeiro campeonato de sumô aqui no país, na cidade de Guatapará, interior de São Paulo. Por incrível que pareça, existia até uma liga de sumô profissional no Brasil na década de 60.

No ano de 1998, foi criada a confederação Brasileira de Sumô, e, em 2000, o Brasil sediou o primeiro campeonato Mundial da modalidade disputado fora do Japão.

Ao Dohyo!
Ao Dohyo!

No ginásio Mie Nishi, um grupo de atletas se aquece e pratica alguns movimentos. Segundo o anfitrião Willian Takahiro, existem mais de 500 praticantes e entusiastas de sumô aqui no país.  Willian, que está com 34 anos, pratica o esporte há 28 anos. Sua paixão pelo esporte é absoluta. Além de praticar, ele é vice-presidente da confederação brasileira e assina um blog.

sumô

No Dohyo (arena de terra batida onde o sumô é praticado) do ginásio temos 3 homens e 4 mulheres treinando intensamente. Sou enrolado por um cinturão de nome Mawashi de 7 metros. Inicio os primeiros movimentos e a dinâmica lembra minha infância, quando praticava judô no século passado. O objetivo da disputa no sumô é forçar o oponente a sair da arena ou fazê-lo tocar o solo com qualquer parte do seu corpo além da sola dos pés. Os encaixes seguem e, em menos de 2 minutos, estou ofegante, prestes a ter um treco. Saio do Dohyo e respiro profundamente.

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Aproveito e engato uma conversa com Luciana Watanabe, que treina e dá aulas de sumô para crianças de 7 a 10 anos em Suzano (SP) Segundo ela, os resultados da prática são maravilhosos na parte física, emocional, de disciplina, valores e educacional. No âmbito social e cultural, as crianças participam dos campeonatos e estudam a cultura japonesa.

Domo Arigato (muito obrigado).

 

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