Na cola dos urubus! Repórter narra experiência de voar em aeronave sem motor

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Todas as condições possíveis para se realizar o voo encontravam-se ao nosso favor. O domingo estava radiante, com ventos e nuvens impecáveis para se fazer o voo a vela, ou melhor, volovelismo.

No aeroclube de Tatuí, acompanhava a subida de um planador rebocado por uma avioneta. Enquanto curtia a subida ascensional da aeronave, guardava a minha vez, pois seria o próximo a realizar o sonho de Ícaro e flanar pelo espaço.

Reboque
Reboque no aeroclube de Tatuí – SP

O voo a vela consiste em voar em avião sem motor utilizando-se as correntes ascendentes, isto é, a força das térmicas (massa de ar que se desloca na vertical) juntamente com os ventos.

Minha pulsação acelerava a medida que o instrutor e piloto, Paulo Greca, me orientava sobre os procedimentos.

Paulo Greca / Jornalista de turismo e gastronomia do Portal R7 e piloto esportivo de planador desde 1997
Paulo Greca / Jornalista de turismo e gastronomia do Portal R7 e piloto esportivo de planador desde 1997

O mesmo planador que havia acompanhado na decolagem, pousava suavemente na pista. O êxtase e a alegria do cidadão que acabara de fazer o voo eram perceptíveis. O sujeito sorria e agradecia profundamente o piloto!

Chegou a minha vez de ser conduzido por Paulo para o cockpit da aeronave. Repito novamente os comandos do instrutor e me encaixo no assento.

Ansiedade boa
Ansiedade boa

Nosso planador é engatado ao avião rebocador por um cabo de ligação. Toda a ação é realizada nos mínimos detalhes, de acordo com os protocolos. A perícia da equipe do aeroclube é de altíssimo nível. Uma das extremidades do cabo é conectada na cauda da aeronave e, a outra, na ponta do nariz do planador.

Lá vamos nós!
Lá vamos nós!

O avião começa a correr pela pista e, repentinamente, o planador se levanta antes da aeronave.

Nossa subida é suave e deliciosa. Acompanho os instrumentos do planador que indica com precisão detalhes de altitude e velocidade.

Desligamento do reboque
Desligamento do reboque

Quando alcançamos uma altitude de 600 metros, o planador desengatou do cabo. Aí, meus caros, entrei na experiência de voar como os pássaros.

Wow!
Wow!

No primeiro instante, fiquei em estado de euforia. Paulo me orientava sobre as condições dos ventos e fazia manobras sinuosas. Realizávamos movimentos em forma de espiral e íamos subindo. Num dado momento, apaguei.

Euforia
Euforia

Foi um experiência inesquecível. Meu espírito e meu corpo surfavam entre as nuvens. Fiquei neste estado por alguns segundos ou minutos que mais pareceram uma eternidade.

Quando voltei para o planador, meu corpo vibrava como um diapasão. Gargalhava de felicidade. Os instrumentos indicavam que estávamos a 1.000 metros de altitude.

Na cola dos urubus
Na cola dos urubus

Uma das dicas que Paulo me passou é que a maioria dos pilotos observa o voo dos urubus. Estas aves estão sempre se divertindo e deslizando na energia das térmicas.

Seguíamos, literalmente, na cola de dois urubus. Deslizei pelo espaço, como o surfista prateado, por quase 1 hora. Uma experiência vital para qualquer ser humano.

Pouso seguro
Pouso seguro

No solo, Paulo me contou de sua avó Clara Greca, que adora voos radicais. Acreditem, a vovó está com 95 anos de idade!

Aos 95 anos, Clara Greca só gosta de voos radicais
Aos 95 anos, Clara Greca só gosta de voos radicais

Quando tiver a oportunidade, não pense duas vezes e realize esse sonho de voar.

Vai, vovó!
Vai, vovó!

ALGUNS RECORDES DE VOO SEM MOTOR
O recorde brasileiro está acima dos 1.000 km de distância e foi conquistado pelo piloto Thomas Milko no ano de 2002. A maior marca mundial é de 3.009 km de distância, em um voo realizado na Cordilheira dos Andes em 2003 pelo piloto alemão Klaus Ohlmann, que permaneceu mais de 15 horas no ar.

Quando o assunto é altura, o recorde foi quebrado por Steve Fossett em 2006. O cara voou a 50.720 pés (quase 17.000 m), e, na tentativa de superar seu próprio feito, Steve sumiu misteriosamente num voo sobre Serra Nevada. Seu corpo foi encontrado por um alpinista um ano após o desaparecimento.

José Orlando de Castro Parente / Piloto rebocador com o maior número de reboques já realizados no mundo
José Orlando de Castro Parente / Piloto rebocador com o maior número de reboques já realizados no mundo

O RECORDE MUNDIAL DE REBOQUES É BRASILEIRO
Ao longo de seus 80 anos de idade – dos quais mais de 40 puxando planadores com seu avião – José Orlando de Castro Parente é, de longe, o piloto rebocador mais experiente do mundo, com a maior quantidade de lançamentos de planador já efetuados no planeta, num assombroso número que ultrapassa 32.000 reboques realizados.

Uma explicação para este feito é que a maioria dos pilotos rebocadores exercem essa função por um tempo limitado para acumular horas de voo e, posteriormente, seguem carreira na aviação comercial ou executiva, porém, esse veterano permaneceu rebocando e não migrou para outro setor aéreo.

Planador ao pôr do sol
Planador ao pôr do sol

Ficou com vontade de experimentar? A maioria dos clubes a vela oferecem a opção dos voos panorâmicos. Caso você queira fazer um curso de formação e ser um piloto de planador, pode se formar com 25 horas, desde que realize um mínimo de 45 voos, sendo 30 deles com um instrutor e 15 sozinho.

EXCELENTES LOCAIS PARA VOAR DE PLANADOR EM SÃO PAULO
AEROCLUBE DE IPUÃ/CTA
Estrada Caçapava – Monteiro Lobato, km 7, nº 6999 – Caçapava – Tel: +55 (12) 3653-7190 – www.vooavelacta.com.br
AEROCLUBE POLITÉCNICO DE PLANADORES
Rodovia SP-304 Km 196, s/n – Aeroporto – São Pedro – Tel: +55 11 4815.5840 – www.politecnico.org.br
AEROCLUBE DE RIO CLARO
Av. Presidente Kennedy 601 – Tel: +55 (19) 3524-2646 – www.aeroclubederioclaro.com.br
AEROCLUBE DE BEBEDOURO
Rodovia Brigadeiro Faria Lima – km 384 – Aeroporto Comandante Luis Martins de Araújo – Tel: +55 (17) 3044-3038 – www.aeroclubebebedouro.com.br
AEROCLUBE DE BAURU
Al. Dr. Octavio Pinheiro Brisolla, 19-100 – Tel: +55 (14) 3234.7900 – www.aeroclubebauru.com.br
*IMPORTANTE
O custo do esporte varia de acordo com as tabelas de cada aeroclube, assim como o tempo de voo, que pode oscilar em função de condições favoráveis para que o planador consiga ganhar altura e, desta maneira, promover voos mais demorados.

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