Com 120 anos, Teatro Amazonas é uma viagem ao luxo do ciclo da borracha

Inaugurado em 31 de dezembro de 1896, o teatro tem uma programação afinadíssima de espetáculos o ano todo

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“Às vezes eu acompanho passageiros estrangeiros a um passeio de canoa nos lagos próximos de Manaus; andava com eles pelo centro da cidade, eram loucos para conhecer o Teatro Amazonas não entendiam como podia existir um colosso de arquitetura na selva”. Trecho do livro ‘Órfãos do Eldorado’, do genial escritor manaura Milton Hatoum.

Ponto de partida ou de chegada para qualquer visita na cidade de Manaus, o Teatro Amazonas desperta a curiosidade de qualquer criatura. O local foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896, uma semana depois estreava com a apresentação da opera La Gioconda de Almicare Ponchielli. Fundado no auge da prosperidade financeira do ciclo da borracha, o teatro passou por momentos de glória e esquecimento.

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A visita é uma viagem ao passado, ao tempo em que Manaus vivia uma extensão do “fin-de-secle“ parisiense. Nenhum luxo foi dispensado na construção deste edifício estilo neoclássico. Antes de entrar, logo na parte externa, a cúpula do teatro, que foi tombado como patrimônio nacional em 1966, tem 36 mil escamas de cerâmica esmaltada pintadas com as cores da bandeira nacional. Um verdadeiro tesouro da “belle époque” encravado no coração da floresta amazônica.

O luxo predomina em todos os ambientes do teatro. Lustres e candelabros originais de Murano, mármores portugueses e italianos revestem o piso e as escadarias em art-noveau. No salão nobre, o piso foi criado com 12 mil peças de madeiras (nogueira, carvalho, mogno e bordo) encaixadas em marchetarias, sem cola ou pregos. A nave central tem capacidade para 701 pessoas distribuídas entre a plateia e os três andares de camarotes. A decoração do salão nobre é de autoria do italiano Domenico de Angelis que destaca as belezas regionais, principalmente a belíssima pintura “A glorificação das belas artes na Amazônia”, que ornamenta o teto.DSC_1319

Outro grande responsável pelo bom gosto e encanto da decoração interna do teatro é o artista pernambucano Crispim do Amaral. Autor da pintura da cortina do palco que representa o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Que fique claro caríssimos leitores, o local encontra-se em atividade durante o ano inteiro com uma programação afinadíssima de espetáculos de dança, ópera, cinema, teatro e música.

Para conhecer em detalhes as dependências do belíssimo teatro, a dica é fazer a visita com os guias locais. Informações históricas, figurinos e muitos causos borbulham pelas escadarias e salões.DSC_1332

No ano de 1990, o teatro passou por uma reforma majestosa e voltou a ser o cartão-postal de Manaus. O tenor italiano Luciano Pavarotti em visita de turismo na Amazônia, em março de 95, deu uma canja no palco para uma seleta plateia de turistas. No ano seguinte, o tenor espanhol realizou uma apresentação suntuosa em comemoração aos 100 anos do Teatro Amazonas.DSC_1334

Como na maioria dos teatros, existem histórias de fantasmas. A mais famosa é de uma pianista que morreu no palco e que basta deixar um piano aberto que a ilustre artista começa a tocar a quinta sinfonia de Beethoven. Partitura que tocava quando morreu.

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