O alucinante mundo da Aldeia Yawanawá, no coração da floresta amazônica

Ao oeste do Acre, cultura milenar nos ensina como viver em harmonia com a natureza

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Logo que desembarquei no aeroporto de Rio Branco, parti para Tarauacá que está distante seis horas da capital do Acre. À beira do Rio Gregório sentei em uma voadeira (barco de alumínio) e contemplei um cenário fascinante que se emoldurava diante dos meus sentidos. Aves, igarapés, borboletas, árvores imensas, água limpa, peixes, ribeirinhos e centenas de troncos espalhados pelo transcurso do rio. Mergulhava literalmente nas entranhas da floresta. Meu objetivo seria conhecer a Aldeia Nova Esperança, coração da tribo indígena Yawanawá. Uma viagem ao oeste do Estado até a região do alto Juruá.

DSC_3956 Navegamos por longas sete horas. Ao final, tivemos uma recepção de boas vindas. O local era alucinante. Um conto de fadas selvático. Em um imenso barranco, um grupo de yawanawanas, todos pintados e utilizando (shapanati) saias de palha, nos recebeu com cantorias e danças. O ritmo – as vozes embaladas pelas batidas dos pés – e a atmosfera me induziram a um estado alterado de encantamento.DSC_3882

Fui recepcionado pelo Cacique Biraci, líder espiritual da tribo. Um homem de muita fibra e determinação. De início, ele explicou sobre a cantoria na língua Mariri. Músicas em que os yawanawas agradecem aos deuses da natureza. Uma tradição para receber os visitantes. Com o ritual, são espantados todos os maus espíritos dos forasteiros.DSC_3808

No dia seguinte, fui pintado logo pela manhã com o desenho da jiboia . A pintura dos animais e elementos da floresta é uma das características da tribo. Estava preparado para participar do ritual do Rumê (ou rapé) – um tipo de “cura indígena” para a limpeza da mente e corpo. O mestre do rapé , Kapa Kuru, colocou um aplicador em meu nariz e soprou um pó de casca da árvore em minhas narinas. Fiquei em sintonia e integrado à natureza. De barco, subimos até a aldeia sagrada. O local era onde os Yawanawas moravam e que hoje é o cemitério dos caciques. Nesta travessia, conheci melhor o centenário xamã Yawa e a curandeira Putami, esposa do cacique Biraci. Em nossa jornada, fui agraciado com a sabedoria de Yawa e os trabalhos de limpeza de Putami. DSC_3856

O fascinante dos Yawanawas é que eles resgatam as tradições de seus antepassados e mantém viva uma cultura milenar que nos ensina como é possível viver em harmonia com a natureza. Todo mês de outubro, acontece o festival Yawa . Neste ano, a XV edição das festividades na aldeia Nova Esperança será realizada entre os dias 25 a 30 de outubro.DSC_4018

Festival Yawa
Danças do mariri, histórias dos ancestrais e rituais xamânicos com os pajés são algumas das atividades que acontecem durante as celebrações. É um intenso intercâmbio entre os povos indígenas da Amazônia. Mais detalhes: http://www.festivalyawa.org/p/o-festival.htmlDSC_3845

Estadia
A tribo está preparada para receber viajantes. Há um imenso camping à disposição dos turistas e não faltam atividades durante os dias na região. Trilhas ecológicas para conhecer a floresta, animais e plantas; pescaria tradicional; rituais indígenas; e o aprendizado de tecer palhas e pinturas corporais são algumas das opções oferecidas.
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