O Rio visto de cima e a beleza exuberante do Morro Dois Irmãos

É possível ver toda a Zona Sul carioca (Lagoa, Ipanema, Leblon e Cristo), até Niterói

5422

A natureza pulsa e se manifesta por toda cidade do Rio de Janeiro. O cenário das praias com as montanhas, o mar, o vento, o vai e vem das pessoas e a vegetação sempre me hipnotizou. Um dos visuais que sempre me arrebatou, é o Morro Dois Irmãos. Visto da praia de Ipanema, a formação rochosa do local é um espetáculo impregnado na vida, de milhões de pessoas que já passaram por ali. Músicos, poetas, artistas plásticos, surfistas, fotógrafos românticos e escritores, eternamente (em todas as épocas) se inspiram nas linhas sinuosas e graciosas dos dois irmãos.DSC_8974

Sempre tive curiosidade de realizar a trilha que leva até o topo do Morro. Em apenas duas trocas de mensagens pelo WhatsApp entrei em contato com a empresa, Trilha Dois Irmãos. Marcamos o passeio para o dia seguinte. Seguindo a orientação das organizadoras, nos encontramos às 8 horas das manhã no ponto de ônibus ao lado do hotel Sheraton. Fui recebido, pelo sorriso cativante da guia Ana Lima, juntamente a um grupo de jovens paulistanos e um casal de franceses. A primeira etapa seguimos caminhando até a entrada da favela do Vidigal. A guia  explicou detalhadamente como seria nossa expedição e os procedimentos. O transporte coletivo no Vidigal é feito por kombis e moto-taxis. Na base do Vidigal seguimos morro acima em uma Kombi. O motorista desviava de outros veículos como se fosse um perito em mobilidade. Desfrutava todos os detalhes que meu olhar alcançava no subidão do morro. Chegamos ao ponto final e dali começamos a trilha.DSC_9039

A caminhada é de 1,5 km e o topo está a 533 metros de altura. Passamos ao lado de algumas casas e nos embrenhamos na trilha pela mata densa. Aproximadamente depois de 10 minutos em uma subida suave chegamos ao primeiro mirante. O cenário é estonteante. A praia de São Conrado, as ilhas Gagarras e a magnífica Pedra da Gávea. A trilha segue e do lado esquerdo surge a imensa favela da Rocinha com seus 80 mil habitantes. Escutamos lá de cima o zum-zum-zum dos moradores e a vida borbulhando na comunidade. A guia Ana Lima apaixonada pela trilha, ilustra o passeio contando histórias das ocupações, lendas e geografia para o turista. “Gosto de estar com pessoas do Brasil e do mundo. Esta troca de culturas e sotaques é algo que me faz crescer como criatura. Minha missão é mostrar o topo de uma das principais montanhas do Rio mas também apresentar o Vidigal segundo a perspectiva de quem mora aqui”, afirmou. DSC_9016A caminhada segue e o calor é intenso. Quando alcançamos o cume do Irmão Maior o silêncio dominou o grupo. A beleza do panorama é exuberante. Podemos ver toda a Zona Sul carioca (Lagoa, Ipanema, Leblon e Cristo), até Niterói. Um visual de 360 graus. Na volta, ainda fizemos uma tour pelo Vidigal onde passamos pelos efervescentes grupos culturais Melanina Carioca, Pearls Negras, Morenas do Sol e o vigoroso grupo de Teatro Nós do Morro. Ao final, almoçamos no delicioso restaurante local, o Cardápio. Quando for ao Rio, conheça o Vidigal.

DSC_9052

Dicas da Ana Lima para a trilha
– O ideal é usar roupas leves, que te dêem mobilidade;
– Não se esqueça do tênis, chapéu ou boné  e de um agasalho leve. No inverno, o vento frio pode não dar trégua;
– Bermuda comprida ou Calça (para proteção da vegetação rasteira);
– Garrafa de água  é essencial para hidratação. Acredite: depois de 40 minutos andando morro acima, tudo o que você vai querer é uma destas;
– Para repor as energias, uma fruta, uma barrinha de cereal ou até mesmo um pedaço de chocolate são uma boa indicação;
– Repelente e protetor solar.
DSC_9042DSC_9072