No tabuleiro da baiana em Salvador: acarajé é comida sagrada oferecida a orixás

1007

Mestre Ary Barroso escreveu e cantou assim: “No tabuleiro da baiana tem/Vatapá, oi/ Caruru/ Mungunzá/ Tem umbu/ Pra ioiô”. Estou literalmente frente a frente do tabuleiro da baiana, em Salvador (BA), esperando para dar uma abocanhada no primeiro acarajé do dia. O acarajé é conhecido na África como àkàrà, que significa bola de fogo. Em português, palavrinha “je” se traduz como comer. Na Bahia as duas palavras foram reunidas e se transformou em acarajé, isto é, comer bola de fogo.

Meus olhos e olfato acompanham todo o processo da fritura do bolinho de feijão-fradinho dentro da panela funda, borbulhando com azeite de dendê. Sinto a boca e o espírito salivarem de desejo. Estou completamente hipnotizado. O acarajé, como todo prato da culinária afro-baiana, é considerado uma comida sagrada, porque se relacionam aos seus orixás. O apetitoso acarajé é uma comida-ritual oferecida para o orixá Iansã.

DSC_1051

Uma lenda africana conta que Iansã, após se separar de Ogum e se unir a Xangô, foi enviada pelo segundo marido à terra dos baribas em busca de um preparado que, ingerido, lhe desse o poder de cuspir fogo. A deusa então provou do líquido e ganhou o poder. A receita está longe de ser secreta, mas, conforme a tradição, não pode ser alterada e tem de ser feita apenas por filhos de santo ou pessoas conectadas com os orixás. Tradicionalmente, o primeiro acarajé sempre é oferecido ao orixá Exu como a maioria de todos os pratos e cerimônias.

DSC_1047DSC_1048O saboroso legado africano da culinária regional baiana se expandiu e instalou-se nas mesas de muitas casas e restaurantes pelo Brasil. O Largo Santana à beira da praia do rio Vermelho, em Salvador, se converteu há décadas em um espaço onde soteropolitanos e turistas se deliciam com os superacarajés e abarás que as baianas tradicionais preparam todo santo dia ao cair da tarde.

Na primeira mordida quase engoli metade, de tão saboroso. O sanduíche de feijão-fradinho vem recheado de cebola, tomate pimenta malagueta refogada no dendê. Não consigo parar de comer e devoro outro. A iguaria é divina, e o terceiro e derradeiro, minha oferenda para celebrar em meu organismo. Extensas filas serpenteiam por todas as bancas de acarajé no Largo Santana. Quando for a Salvador, não deixe de dar um pulo na praia do Rio Vermelho e se iniciar nos segredos do tabuleiro da baiana. Ali o axé transborda e fervilha.

DSC_1046Onde ficar em Salvador
Golden Tulip
Minha última estadia fiquei no delicioso Golden Tulip Rio Vermelho. O hotel está no topo de uma colina no bairro de Rio Vermelho. Os quartos com vista para o oceano são deslumbrantes. Café-da-manhã riquíssimo, além de uma piscina estonteante no cume. Fica pertinho do Largo de Santana, meca dos acarajés e abarás.

Ibis Salvador Rio Vermelho
Muito bem localizado. Equipe impecável e serviços de primeira. Os quartos são confortáveis e modernos. Os preços são imbatíveis.

DSC_1053