Fordlândia, a cidade-fantasma brasileira que foi destruída por um fungo

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Navegar pelo rio Tapajós, um dos mais exuberantes afluentes do rio Amazonas, é uma experiência fascinante e orgânica. Especialmente a partir de julho, quando, por ocasião da vazante fluvial, o rio volta ao leito e, como num passe de mágica, uma imensa camada de areia clara e fina forma praias inigualáveis. Conhecer e relaxar nas praias de Aramanaí, Pajuçara, Maracanã, Pindobal, Cajutuba e na transcendental Alter do Chão, situada na Baia do Tapajós, é uma tarefa digna de quem está bem e feliz com a vida.

O ponto de partida para esta grande aventura pelo Rio Tapajós é a cidade de Santarém no Pará, encravada entre o Tapajós e o Amazonas. Meu objetivo está localizado 200 quilômetros ao sul de Santarém, a misteriosa cidade-fantasma de Fordlândia, o sonho americano materializado pelo industrial Henry Ford, criador e fundador da Ford Motor Company.

No fim dos anos 20, o governo do Estado do Pará deu uma concessão de um milhão de hectares de terra para o mega-investimento da empresa norte-americana. O empreendimento deveria explorar durante 50 anos essa imensa área para o plantio dos seringais e produzir borracha para os pneus dos veículos na America. Misto de sonho e realidade, o cenário da floresta foi modificado e uma cidade inteira foi erguida e instalada a margem direita do rio Tapajós.

fordlandia2Sim, caríssimos leitores, é verdade. No momento em que atracamos a embarcação no porto fluvial, diversos edifícios semi-abandonados e uma caixa d´água imponente emolduravam o cenário diante dos meus olhos. No desembarque, dois jovens oradores descendentes dos pioneiros do século passado ofereceram-se para me guiar ao imenso relicário-fantasma. A cidade possui as características das populações interioranas norte-americanas: casas com gramados, sem muros e imensas alamedas.

Acreditem: durante seu apogeu, Fordlândia foi a terceira maior cidade da Amazônia. Para se ter uma ideia, foram construídos 40 km de ruas e estradas, hospital, serraria, usina elétrica e sistema de captação, tratamento e distribuição de água. E ainda um cinema em em estilo hollywoodiano.

fordlandia3A saga toda durou 17 anos – de 1928 a 1945. Sua decadência eclodiu com o advento de uma praga nos seringais conhecida como “mal-das-folhas”, fungo terrível que desmoronou o sonho de Henry Ford. O que realmente percebemos é que a floresta foi assumindo seu hábitat, porém alguns moradores preservam as poucas casas e as estruturas dos edifícios carcomidos. Hoje, o que restou e continua reluzente em Fordlândia, além da caixa d´água, são os fulgurantes hidrantes de Michigan (EUA) espalhados pelas ruas da cidade enferrujada.

Onde ficar
Por incrível que pareça, existe a Pousada Americana em Fordlândia. Encravada na cidade, o local é muito tranquilo e limpo. O proprietário é gente fina e, para quem deseja se comunicar pela internet, o wifi é eficiente. A comida é generosa e os serviços de primeira valem a pena.